17 дн тому
Quarta-feira tirei a manha, coisa que quase nunca faco, e sai de casa as seis e meia ainda de noite. A ideia era a Serra da Freita, que ficou o verao inteiro na lista porque com o calor nao me apetecia subir a lado nenhum depois das nove.
A estrada ate Arouca fiz no escuro, com a Scrambler a acordar devagar e o frio a entrar pelas mangas. Depois de Arouca a estrada comeca a subir em curvas apertadas e a meio da serra entrei no nevoeiro. Daqueles grossos, que molham o visor por dentro e por fora. Fui a quarenta, a ouvir o motor e mais nada, e por duas vezes encostei so para limpar o visor com a luva.
La em cima, perto de Albergaria da Serra, o nevoeiro abriu de repente. Por baixo ficou tudo branco, o vale de Arouca inteiro enterrado, e por cima o ceu limpo com o sol a sair por tras dos montes do lado de Viseu. A urze ainda tem algum roxo mas ja esta a ficar castanha, e os fetos estao cor de ferrugem. E outono la em cima, mesmo que ca em baixo ainda pareca verao.
Apanhei o estradao que segue pelo planalto, terra batida com pedra solta e pocas da chuva da semana passada. Ao fim de um quilometro dei com uma manada de garranos parados no meio do caminho, a fumegar no frio. Desliguei a mota e fiquei ali uns dez minutos. Nao se afastaram, so um potro mais curioso veio cheirar o pneu da frente e voltou para a mae. Depois passaram as vacas arouquesas com aqueles cornos, todas com ar de quem manda naquilo tudo, e eu concordei.
Desci pela Frecha da Mizarela, que depois do verao seco quase nao tem agua, so um fio a cair pela rocha. Em fevereiro volto la para a ver como deve ser. Cheguei a casa as dez e meia, com terra nas botas e o nevoeiro ainda agarrado ao casaco, e ao meio dia ja estava sentado ao computador como se nada fosse.