prije 28 d
Sai do Porto pouco depois das seis, ainda escuro, e apanhei a A4 ate Amarante so para despachar a parte aborrecida. Quando encostei ao pe da ponte ja se via alguma coisa, mas o vale estava cheio de nevoeiro ate meia altura e nao se ouvia nada, nem o rio.
A partir dali sobe a estrada velha, a N15 que passa por cima do Marao. Desde que abriram o tunel quase ninguem vai por ali e nota se: o alcatrao esta remendado, ha gravilha a sair dos caminhos nas curvas de cima e erva no meio em alguns sitios. Tambem nao passa ninguem para ajudar se a moto se lembrar de parar, por isso vai se com juizo.
Ate meio da subida andei dentro do nevoeiro, com o capacete a molhar por fora e a estrada a acabar sempre na curva seguinte. Depois foi de repente, como costuma ser naquela serra: a estrada saiu por cima da nuvem e ficou tudo limpo, com o sol ainda baixo e o vale todo branco la em baixo, so os cumes a sair. Encostei numa berma qualquer e fiquei uns minutos a ouvir o motor a arrefecer.
Junto ao alto estavam nove graus e vento, e em setembro isso ainda apanha desprevenido quem saiu de casa a pensar no verao. A Scrambler nao se importa nada com aquilo. Em terceira, sem pressa, o motor a puxar de baixo e o guiador largo a fazer o resto. Desci um bocado do lado de Vila Real so para ver como estava, dei a volta e voltei a passar por cima.
Em Amarante, as dez, a vila ja estava acordada. Cafe ao pe da ponte, pao quente na mao e a moto encostada onde a podia ver do lugar onde estava sentado. Vim para casa pela mesma A4, desta vez com o sol de frente, e cheguei antes do almoco. Domingos assim nao precisam de plano nenhum, so de acordar cedo.
A velha do Marao desde que abriram o tunel ficou para quem quiser, mas aquela gravilha que sai dos caminhos ja me apanhou uma vez a saida de uma curva. Agora subo sempre a contar com ela.