hace 1 mes(es)
Sai do trabalho as seis e em vez de ir para casa fui pela N108, aquela que segue o Douro pela margem norte a partir de Gondomar. Ja tinha feito aquilo em julho com o sol alto e nao e a mesma estrada em setembro. A luz chega de lado e o rio fica quase preto por baixo das encostas.
A estrada e estreita e cheia de curvas cegas, com muro de um lado e a queda do outro. Nao da para andar depressa e ainda bem. A Scrambler gosta daquele ritmo, em terceira, com o motor a puxar de baixo, e o som volta das rochas quando se passa junto ao paredao.
Parei em Melres, no cais pequeno onde ainda ha barcos amarrados. Nao estava la ninguem. So um homem a arrumar redes que me perguntou se a moto era antiga. Disse-lhe que nao, que so parece. Ficou a olhar para ela mais um bocado e voltou as redes.
Voltei a arrancar quando comecou a arrefecer. Aquela parte do rio tem sempre uma neblina fina a sair da agua ao fim do dia, mesmo no verao, e com o sol baixo fica tudo cor de laranja durante uns minutos. Depois apaga-se de repente e fica so o cinzento. E sempre mais curto do que se pensa.
Segui ate perto de Entre-os-Rios e voltei para tras pelo mesmo caminho. No regresso ja precisei do farol e as maos ficaram frias antes de chegar a Valbom. Ha duas semanas isto nao acontecia. E o unico sinal de que o verao acabou que ninguem por aqui discute.
Melres ao fim do dia sem ninguem no cais vale mais do que muita estrada de montanha. E o senhor das redes tem razao, a Scrambler engana bem 😄